
Nicolás Maduro Moros é hoje o principal líder da revolução bolivariana e da resistência anti-imperialista na América Latina. Presidente eleito da República Bolivariana da Venezuela no seu terceiro mandato e sucessor do comandante Hugo Chávez, o carismático estudante rebelde e ex-motorista socialista possui uma longa trajetória revolucionária e sólida formação marxista-leninista, passando pelos estudos na escola do Partido Comunista de Cuba, seu papel destacado como fundador e presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Metrô de Caracas (SITRAMECA) e como dirigente nacional do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200).
Estudante católico, baixista da banda de rock Enigma e jogador amador de beisebol, nascido no bairro Los Chaguaramos, em Caracas, em 1962, a trajetória política de Maduro se relaciona profundamente com a crise da esquerda revolucionária venezuelana nos anos 1960/70, gerada a partir das derrotas sofridas e do recuo da luta armada pelo Partido Comunista da Venezuela (PCV) e pelo Movimiento de Izquierda Revolucionaria, o MIR venezuelano, com cisões que deram origem ao Partido da Revolução Venezuelana (PRV) e a Liga Socialista – Organização de Revolucionários (OR), principalmente no contexto dos governos autoritários de Raúl Leoni (1964-69) e Rafael Caldera (1969-74), a partir do sistema bipartidário AD-COPEI chamado de puntofijismo e que substituiu a ditadura de Pérez Jiménez depois de 1958.
Com uma larga trajetória na esquerda revolucionária e marxista-leninista anterior ao primeiro governo Chávez, Maduro foi também deputado constituinte em 1999 e presidente da Assembleia Nacional, primeiro presidente do birô político do PSUV, fundado em 2007, exerceu ainda a importante função de Ministro das Relações Exteriores e foi finalmente Vice-presidente de Chávez a partir de 2012, até assumir a presidência com a morte do comandante Hugo Rafael Chávez Frías e ser eleito presidente pela primeira vez em 2013.
Difamado permanentemente e pintado como um ditador ou um louco pela máquina de mentiras da propaganda de guerra da mídia imperialista e até por alguns setores da esquerda liberal ou da ultraesquerda pequeno-burguesa, a história política real do motorista revolucionário de Caracas e militante da Liga Socialista começa a partir da influência de seu pai, Nicolás Maduro Garcia, que foi um economista e membro da Ação Democrática (AD), se tornando depois um dos fundadores do partido socialista Movimento Eleitoral do Povo (MEP).
Estudante de uma escola católica, o jovem secundarista Nicolás Maduro se aproximou da teologia da libertação e ingressou no movimento político Ruptura, uma fachada pública do clandestino PRV, dirigido por Douglas Bravo e cujo braço militar eram as Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN). O Partido da Revolução Venezuelana se formou em 1966, a partir de dissidências das frentes guerrilheiras das FALN, então dirigidas pelo Partido Comunista da Venezuela, que abandonou a luta armada em 1965.

Da militância no PRV-Ruptura, Maduro passaria às fileiras do Movimento Estudantil de Unidade Popular (MEUP), um braço de massas da Liga Socialista fundada em 1973, que por sua vez funcionava como uma fachada legal da Organização de Revolucionários (OR), uma cisão de orientação maoísta do MIR venezuelano. A OR, fundada em 1969, teria como principal dirigente o revolucionário Jorge Antonio Rodríguez, assassinado sob tortura após o longo sequestro político de um empresário norte-americano, pai do atual presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e da vice-presidente da República, Delcy Rodríguez.
Como destacado militante e agitador da Liga Socialista, Maduro foi enviado para Cuba aos 24 anos, onde estudou em 1986-87 temas como filosofia marxista, economia política e história da América Latina na Escuela Superior de Cuadros Ñico López, uma instituição de formação do Partido Comunista de Cuba (PCC). De volta à Venezuela, é pego de surpresa pelo Caracazo e participa das mobilizações contra o governo neoliberal de Carlos Andrés Pérez. Após ser aprovado em concurso em 1990, começa a trabalhar no Metrô de Caracas como motorista do Metrobus, e seguindo a linha revolucionária da Liga Socialista, funda e dirige o combativo SITRAMECA.
Após a insurreição de 1992 liderada por Chávez, Maduro passa a apoiar o Movimento Bolivariano Revolucionário 200, movimento anti-imperialista que havia sido formado por militares nacionalistas nos anos 1980, ainda como Exército Bolivariano Revolucionário 2000, e foi fortemente influenciado pela esquerda revolucionária, principalmente pelo PRV-Ruptura, que se tornaria depois o traidor movimento Tercer Camino. Com Chávez ainda preso pela tentativa fracassada de golpe em 1992, Maduro conhece Cilia Flores, advogada do comandante, dirigente chavista e com quem se casaria depois. Chávez convida Maduro para integrar a direção do MBR-200, que se transformaria posteriormente no partido político Movimento Quinta República (MVR), a partir de 1997.

Em 1998, com a formação do Polo Patriótico, que reuniria também o Movimento ao Socialismo (MAS), o MEP, o Pátria Para Todos (PPT) e o PCV, Chávez vence as eleições presidenciais pelo MVR e inicia o processo da Revolução Bolivariana, dentro de um contexto de crise da burguesia venezuelana e encerrando uma era de 40 anos, após o Pacto de Punto Fijo de 1958, e pondo fim ao regime bipartidário da Ação Democrática (AD) e do Comitê de Organização Política Eleitoral Independente (COPEI).
Em 1999 e após a realização de um referendo, Chávez convoca a Assembleia Constituinte para a qual Maduro seria eleito pelo MVR. Com a constituição da Quinta República e novas eleições, Chávez é reeleito em 2000, Maduro passa a ser deputado da Assembleia Nacional e parte da maioria parlamentar formada pelo Polo Patriótico. Chávez anuncia o Plano Bolívar 2000, decreta a Lei de Terras para a reforma agrária, a soberania estatal sobre o petróleo através da PDVSA e outras medidas e programas populares, passando a sofrer uma forte oposição de setores da burguesia apoiados pelo imperialismo e mesmo de antigos aliados e parte da esquerda claudicante e infiltrada.
É a partir da tentativa de golpe de 2002, derrotada pelo levante popular e por militares leais, que o chavismo se radicaliza na defesa do “socialismo do século XXI” e se iniciam as Missiones Bolivarianas, como um grande programa de assistência social e combate à pobreza, envolvendo serviços de educação, saúde, cultura, moradia digna, soberania alimentar e outros. Chávez vence o referendo convocado pelo bloco golpista da direita fascista para revogar seu mandato e ganha novamente as eleições presidenciais em 2006. Maduro, que havia sido reeleito deputado nas eleições legislativas de 2005, é indicado como presidente da Assembleia Nacional e depois se torna Ministro de Chávez.
Como chefe do Ministério do Poder Popular para os Assuntos Exteriores, Nicolás Maduro assumiu uma importante postura anti-imperialista e de defesa da soberania venezuelana, encerrando relações com a província rebelde de Taiwan em favor da República Popular da China, apoiando a Líbia de Muammar Gaddafi, rompendo relações diplomáticas com o Estado sionista de Israel em 2008 e reconhecendo o Estado palestino, e ao mesmo tempo, apoiando o governo sírio de Bashar al-Assad contra a guerra fomentada pelo imperialismo, dando suporte para Cuba e importantes processos na América Latina, além de aprofundar relações no campo anti-imperialista com a República Islâmica do Irã e a Federação Russa.
Em 2007, com uma crise interna no MVR e o chamado de Chávez para avançar na Revolução Bolivariana e fundar um novo partido, nasce o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que se tornaria o maior partido de esquerda do Ocidente, e além do Movimento V República recebeu a adesão do MEP, da Liga Socialista (antiga organização de Maduro), do Movimento Revolucionário Tupamaro, da União Popular Venezuelana, do Movimento pela Democracia Direta e muitos outros agrupamentos revolucionários e nacionalistas, incluindo até mesmo setores trotskistas.
Em 2012, com a nova eleição de Chávez pelo Gran Polo Patriótico Simón Bolívar, Maduro é indicado como vice-presidente e assume a presidência da República após a licença médica do líder da Revolução Bolivariana, cuja morte trágica seria anunciada em 5 de março de 2013, após dois anos de luta contra o câncer. Com mais uma eleição realizada após a morte de Hugo Chávez, Maduro é eleito em 2013 pelo PSUV e a coalizão do GPPSB, sendo reeleito em 2018 e mais uma vez em 2024, também pelo Gran Polo Patriótico, para o mandato atual.

O vitorioso processo bolivariano iniciado em 1999, cuja expressão ideológica é o chavismo, é um desenvolvimento histórico revolucionário concreto e real que inerentemente enfrenta contradições e escapa aos esquemas do teoricismo ou idealismo pequeno-burguês, sendo o mais importante processo revolucionário latino-americano desde a Revolução Cubana liderada por Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos a partir da Sierra Maestra, e que em vários momento sofreu oposição até mesmo de setores de uma esquerda que abraçou a traição ao povo e o oportunismo, como o MAS, Bandera Roja, Terceiro Caminho, PCV e outros. Enfrentando, desde 2024, a oitava intentona golpista desde 2002, com a nova tentativa de fraudar o processo eleitoral pelos velhos golpistas e agentes imperialistas Edmundo González e María Corina Machado, o governo eleito e legítimo de Nicolás Maduro, um irreverente chefe de Estado que faz aparições dançando salsa, mas que também é um decidido líder bolivariano e anti-imperialista do povo revolucionário venezuelano, vem sendo brutalmente acossado pelos EUA e o governo fascista e genocida de Donald Trump.
Com falsos pretextos e descaradas mentiras sobre narcotráfico, os EUA classificaram o governo da Venezuela como uma “organização terrorista internacional” e Nicolás Maduro como um “chefe do narcotráfico”. Não conseguindo fraudar ou manipular as eleições como tem feito em outros países latino-americanos e caribenhos, o decadente imperialismo norte-americano, em fase de crise terminal e desespero estratégico, passou a ameaçar militarmente e cercar o país caribenho que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, realizando ações criminosas contra embarcações civis no mar do caribe, deslocando algo em torno de 15 mil soldados para a região, além de navios de guerra e o maior porta-aviões do mundo, realizando também sobrevoos com caças sobre a costa venezuelana, decretando um falso fechamento do espaço aéreo e até mesmo realizando ações de pirataria para roubar o petróleo venezuelano, com uma justifica delirante e perigosa de que os recursos naturais do país pertencem aos EUA.
Esta nova ofensiva desesperada dos EUA contra a Venezuela, e que se expande também para a Colômbia e o governo de Gustavo Petro, se insere no contexto mais amplo de atualização da colonial Doutrina Monroe, com o chamado “Corolário Trump” redefinindo a política imperial dos EUA, onde a China representa um rival existencial e América Latina deve ser uma zona de controle direto, e ocorre após mais de 25 anos de resistência da Revolução Bolivariana, que deve ser entendida como uma etapa de libertação nacional que avança em transformações socialistas, e mesmo enfrentando contradições internas, sobrevivendo às diversas crises e corrigindo erros em sua liderança, tanto com Chávez como com Nicolás Maduro, e sendo atacada até mesmo por antigos aliados e setores da esquerda pequeno-burguesa e liberal, tem conseguido enfrentar e derrotar uma oposição fascista e violenta que responde diretamente à CIA e a mais impiedosa guerra econômica e informacional do imperialismo, com mais de 900 sanções econômicas, embargos e confiscos de ativos que tiveram como objetivo sufocar o povo venezuelano, causando desabastecimento, desemprego e inflação para tentar gerar uma situação desespero e caos social, além da produção em escala industrial de mentiras diárias e difamação sobre o governo bolivariano.
Para resistir à possível invasão militar e a agressão norte-americana, e mesmo às ameaças diretas de assassinar o presidente Maduro e a liderança bolivariana, o governo do PSUV vem conseguindo manter uma situação relativamente tranquila de calma e normalidade em Caracas e nas grandes cidades do país, enquanto amplia a mobilização militar e civil, aumentando sua capacidade bélica e avançando em trocas militares com China, Rússia e Irã, além de avançar para cerca de 8 milhões de trabalhadoras e trabalhadores mobilizados nas formações da Milícia Nacional Bolivariana. Fazendo valer o lema “Comuna o Nada”, também ampliou o poder de decisão das comunas socialistas e das consultas populares, anunciando um “Governo de Transição Comunal ao Socialismo” para 2026. Maduro, como um revolucionário com profundas raízes marxistas-leninistas, assim como Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez, Vladimir Padrino, Delcy Rodriguez e outras históricas lideranças do chavismo, encarnam a disposição heroica do povo venezuelano e o espírito revolucionário dos primeiros Colectivos, para enfrentar e derrotar o moribundo Império norte-americano, em um contexto de ameaça real e uma iminente declaração de guerra de agressão por parte dos EUA, que pode fazer da Venezuela um novo Vietnã e colocar toda a América Latina em polvorosa.
Com a ofensiva do imperialismo em crise sendo o principal elemento da luta de classes em nosso período histórico e a necessidade da “guerra de todo o povo” para vencer a América fascista, a palavra de ordem “Luchar hasta vencer” usada pelo PRV-FALN e a consigna “El socialismo se conquista peleando” da Liga Socialista, que animaram o jovem revolucionário marxista-leninista Nicolás Maduro em sua trajetória militante, seguem ainda mais vivas e atuais para os nossos tempos de luta, que exigem de todo o campo anti-imperialista e revolucionário a plena defesa da soberania da Venezuela e uma solidariedade internacionalista intransigente com o governo bolivariano e o povo venezuelano.














